Muçulmanos que acreditam no Messias, Hazrat Mirza Ghulam Ahmad de Qadian (as).
Os Profetas
O quarto artigo fundamental da fé no Islão é a crença em todos os profetas. Este artigo constitui, na realidade, uma consequência lógica do terceiro. A mesma filosofia que fundamenta a crença em todos os Livros Divinos exige igualmente a crença em todos os profetas.
O Sagrado Alcorão menciona numerosos profetas, pertencentes, na sua maioria, à linhagem profética do Médio Oriente, desde Adão (as) até ao Santo Profeta Muhammad (que a paz esteja com ele). No entanto, existem algumas exceções importantes.
O Alcorão esclarece especificamente dois aspetos fundamentais sobre este assunto:
Embora os nomes e breves relatos de alguns profetas tenham sido revelados ao Santo Fundador do Islão, essa lista não é, de modo algum, completa. Os nomes mencionados constituem apenas alguns exemplos representativos. Houve muitos outros profetas enviados por Allah que não são mencionados no Sagrado Alcorão.
Entre os profetas cujos nomes são explicitamente referidos no Alcorão, existem alguns que não parecem pertencer à tradição profética israelita. Por esse motivo, muitos comentadores consideram que se trata de profetas não árabes, incluídos na lista para representar outras regiões do mundo.
Um exemplo frequentemente citado é Dhul-Kifl, cujo nome não aparece nas tradições árabes nem noutras fontes semíticas. Alguns estudiosos identificam este nome com Buda, que nasceu em Kapilavastu, capital de um pequeno reino situado na fronteira entre a Índia e o Nepal. Buda era frequentemente conhecido como “o de Kapil”, significado que corresponde à expressão Dhul-Kifl. Deve recordar-se que a língua árabe não possui o som correspondente à consoante “p”, sendo normalmente substituído pela letra “f”. Assim, Kapil torna-se Kifl na transliteração árabe.
Para além das referências encontradas no Sagrado Alcorão, existe ainda uma tradição relatada do Santo Profeta Muhammad (sa), cuja interpretação tem sido objeto de debate entre os comentadores. Nessa tradição, o Santo Profeta (sa) afirma:
«Houve um profeta de Allah na Índia, de pele escura, cujo nome era “Kahan”.» [1]
Qualquer pessoa familiarizada com a história das religiões da Índia associará imediatamente esta descrição ao Senhor Krishna, que é invariavelmente descrito na literatura hindu como sendo de pele escura. Além disso, ao seu nome é frequentemente acrescentado o título Kanhaya. Este nome contém as mesmas consoantes K, N e H que o nome Kahan, uma semelhança que dificilmente pode ser considerada insignificante.
No entanto, o facto de algum profeta não árabe ter sido ou não mencionado pelo nome é, em última análise, uma questão de interesse académico. O que não admite dúvida é que o Sagrado Alcorão torna obrigatório para todos os muçulmanos acreditar não apenas em todos os profetas, mas também afirma claramente que Allah enviou mensageiros e profetas a todas as regiões do mundo e a todas as épocas da história.
Esta crença, que reconhece como verdadeiros tanto os profetas fundadores como os restantes profetas enviados por Allah às diferentes nações, constitui uma declaração única do Sagrado Alcorão, inexistente nas restantes Escrituras Divinas. Ela evidencia a universalidade da criação de Allah, bem como a universalidade da própria mensagem do Islão.
Se a afirmação do Alcorão de que os seus ensinamentos se destinam a toda a humanidade é verdadeira, então é indispensável reconhecer a veracidade de todos os profetas. Caso contrário, os seguidores das numerosas religiões existentes não encontrariam qualquer ponte de ligação entre a sua fé e o Islão.
O reconhecimento da autenticidade de todos os Livros Divinos e de todos os profetas representa uma declaração verdadeiramente revolucionária, cujos benefícios abrangem toda a humanidade. Entre esses benefícios destaca-se o facto de abrir um poderoso caminho para a paz, a compreensão e a harmonia entre as religiões.
Como poderá alguém viver em paz com os seguidores de outras religiões se considerar os seus fundadores simples impostores e reservar toda a verdade apenas para os líderes religiosos da sua própria fé?
É uma realidade universal que a maioria dos seguidores das diferentes religiões conhece apenas superficialmente os ensinamentos da sua própria religião. Normalmente, são os sacerdotes, os estudiosos ou outros dirigentes religiosos que conservam esse conhecimento e a quem as pessoas recorrem quando necessitam de orientação espiritual.
Esses líderes são, muitas vezes, ainda mais sensíveis à honra dos seus profetas e mestres religiosos do que propriamente à questão da honra de Allah. Consequentemente, qualquer crítica dirigida ao fundador da sua religião é sentida como uma profunda ofensa.
Com exceção do Islão, nenhuma das grandes Escrituras Divinas reconhece explicitamente a autenticidade dos fundadores das restantes religiões. A ausência deste reconhecimento isolou as religiões umas das outras. Cada uma reivindica possuir exclusivamente a verdade e considera os profetas das outras tradições como falsos ou impostores.
Embora esta atitude raramente seja expressa de forma tão direta na vida quotidiana, a realidade permanece a mesma. Se os seguidores de uma religião levarem verdadeiramente a sério as suas crenças, acabam inevitavelmente por considerar falsas todas as outras religiões, desde a sua própria origem.
É praticamente impossível imaginar um cristão que siga fielmente a doutrina cristã tal como é geralmente entendida na atualidade e que, ao mesmo tempo, reconheça oficialmente a missão divina de Buda, Krishna ou Zoroastro.
Da mesma forma, a posição tradicional do Cristianismo em relação ao Santo Profeta Muhammad (sa) corresponde exatamente a esta realidade. Segundo essa perspetiva, é necessário rejeitar a sua missão profética; caso contrário, a única alternativa lógica seria aceitar o Islão.
Os estudiosos orientalistas que abordaram este tema mantiveram frequentemente esta posição de forma muito clara. Alguns chegaram mesmo a demonstrar uma hostilidade aberta para com o Fundador do Islão, partindo do pressuposto de que ele não poderia ser um verdadeiro profeta. O mesmo fenómeno pode ser observado, em maior ou menor grau, noutras tradições religiosas.
Embora, na convivência diária, raramente encontremos manifestações tão evidentes de desrespeito ou insulto, o obstáculo continua a existir, quer essas opiniões sejam expressas publicamente, quer permaneçam apenas no pensamento dos seus seguidores.
Assim, torna-se evidente que as religiões se foram isolando umas das outras, criando compartimentos separados por barreiras que distinguem rigidamente a verdade da falsidade e o certo do errado. Essas barreiras têm impedido a harmonia religiosa de que a humanidade tanto necessita nos nossos dias.
É verdade que existem muitos cristãos cultos e respeitadores que, por delicadeza e consideração, evitam ofender os sentimentos dos muçulmanos chamando impostor ao Santo Profeta Muhammad (sa). Contudo, de acordo com a doutrina cristã tradicional, continuam sem poder reconhecer oficialmente a veracidade da sua missão profética.
No caso do muçulmano, porém, a situação é completamente diferente.
Quando um muçulmano fala de Jesus Cristo (as), de Moisés (as), de Krishna ou de Buda com respeito, veneração e amor, não o faz apenas por cortesia ou por uma questão de convivência. Fá-lo porque a sua fé não lhe permite agir de outra forma. A crença na veracidade e na honra de todos os profetas enviados por Allah constitui um dos princípios fundamentais da fé islâmica.
À luz deste ensinamento, este artigo de fé assume uma importância verdadeiramente universal. Ele estabelece uma base sólida para a paz e a harmonia entre as religiões, promovendo uma atmosfera genuína de confiança mútua, respeito e amor entre os povos.
Tal como a crença na Unicidade de Allah, este princípio possui uma qualidade intrínseca e insubstituível. Não existe qualquer alternativa capaz de desempenhar o mesmo papel na construção de uma verdadeira fraternidade entre as diferentes comunidades religiosas.
O Messias Prometido, Hazrat Mirza Ghulam Ahmad (as) de Qadian, resumiu a crença islâmica relativamente aos outros profetas da seguinte forma:
«Um dos princípios fundamentais que constitui a base da minha fé diz respeito às religiões estabelecidas do mundo. Estas religiões foram amplamente aceites em diferentes regiões da Terra. Possuem uma longa história e alcançaram um estado de maturidade. Allah revelou-me que nenhuma destas religiões era falsa na sua origem e que nenhum dos seus profetas foi um impostor.» [2]
Este é um princípio extraordinariamente belo, que promove a paz e a harmonia, estabelece os alicerces da reconciliação e contribui para o aperfeiçoamento moral da humanidade.
Todos os profetas que surgiram no mundo, quer tenham vivido na Índia, na Pérsia, na China ou em qualquer outra região, são considerados por nós verdadeiros. Acreditamos na autenticidade de todos eles, sem exceção. [3]
Uma vez estabelecido o princípio de que Allah enviou profetas a todas as regiões do mundo e em todas as épocas da história, torna-se natural compreender a necessidade da vinda de um Profeta Universal.
Contudo, a aceitação de um Profeta Universal exige reciprocidade. Quando esperamos que outros aceitem como verdadeiro aquele que nós reconhecemos como profeta de Allah, torna-se igualmente necessário que nós próprios reconheçamos a autenticidade daqueles homens santos em quem essas pessoas depositam uma fé sincera e inabalável.
É precisamente por essa razão que o Islão estabelece o fundamento para a universalidade de um único Profeta. Assim, a afirmação do Sagrado Alcorão de que o Santo Profeta Muhammad (sa) foi enviado não apenas para a Arábia, mas para toda a humanidade, assenta numa filosofia sólida e coerente.
Encontramos em praticamente todas as religiões referências a uma futura idade de ouro ou a uma era ideal em que toda a humanidade viverá unida sob uma única orientação espiritual. No entanto, dificilmente encontramos nelas uma base concreta que permita alcançar essa unidade ao nível das crenças e dos princípios religiosos.
Foi o Islão que, pela primeira vez na história das religiões, abriu verdadeiramente o caminho para uma religião universal ao proclamar que todos os povos da Terra, em diferentes épocas, foram agraciados com a vinda de mensageiros enviados por Allah.
Segundo o Sagrado Alcorão, a instituição da profecia é universal e permanente. O Alcorão utiliza dois termos diferentes para designar esta missão divina, cada um deles com um significado específico.
O primeiro é An-Nabi (Profeta). Este termo refere-se ao homem escolhido por Allah para receber conhecimento divino, incluindo revelações acerca de acontecimentos futuros e informações sobre acontecimentos passados que eram desconhecidos do seu povo. O cumprimento dessas profecias constitui um sinal da sua autenticidade e prova que o seu conhecimento provém de Allah, o Omnisciente. Desta forma, a profecia confirma a veracidade do profeta e leva as pessoas a aceitarem a sua mensagem.
O segundo termo é Ar-Rasul (Mensageiro). Este refere-se ao profeta enquanto portador de uma mensagem específica enviada por Allah à humanidade. Essa mensagem pode consistir numa nova Lei Divina ou numa exortação para que as pessoas regressem à obediência de uma revelação anteriormente concedida.
Na prática, estas duas funções encontram-se reunidas na mesma pessoa. Assim, todos os profetas podem ser considerados mensageiros, e todos os mensageiros são igualmente profetas.
Segundo o Islão, todos os profetas são seres humanos. Nenhum deles possui natureza divina ou características sobre-humanas.
Sempre que determinadas Escrituras atribuem milagres aos profetas que parecem sugerir poderes sobrenaturais próprios da Divindade, o Sagrado Alcorão rejeita claramente essa interpretação.
Um exemplo é o milagre da ressurreição dos mortos, atribuído a alguns profetas. Embora relatos semelhantes existam em várias Escrituras religiosas, o Alcorão esclarece que tais descrições devem ser compreendidas num sentido espiritual e simbólico, e não literal.
Por exemplo, afirma-se que Jesus (as) ressuscitou os mortos para uma nova vida. Contudo, o Sagrado Alcorão utiliza exatamente a mesma linguagem ao descrever a missão do Santo Profeta Muhammad (sa), referindo-se ao milagre do renascimento espiritual das pessoas através da sua orientação.
O mesmo princípio aplica-se ao episódio em que Jesus (as) molda aves a partir do barro e lhes dá vida com a permissão de Allah. Segundo a compreensão apresentada pelo Alcorão, essas aves representam seres humanos que, graças ao ensinamento divino, recebem a capacidade de elevar espiritualmente as suas vidas, deixando para trás uma existência puramente material.
Da mesma forma, nenhum profeta recebeu uma vida extraordinariamente longa que o distinguisse dos restantes membros da fraternidade dos profetas. Também nenhum profeta é descrito como tendo ascendido fisicamente às regiões mais distantes do universo.
Sempre que as Escrituras mencionam uma ascensão ao céu, deve entender-se uma ascensão espiritual e não uma ascensão física. O Sagrado Alcorão declara categoricamente que uma interpretação literal desse género não corresponde à verdadeira natureza da missão profética.
Quando os Povos do Livro exigiram que o Santo Fundador do Islão subisse fisicamente ao céu e regressasse trazendo um livro como prova da sua missão, Allah ensinou-lhe a responder:
«Dize-lhes: “Glorificado seja o meu Senhor! Não sou eu senão um ser humano e um profeta.”»(Alcorão 17:94)
O Messias Prometido, Hazrat Mirza Ghulam Ahmad (as) de Qadian, resumiu a crença islâmica relativamente aos outros profetas da seguinte forma:
«Um dos princípios fundamentais que constitui a base da minha fé diz respeito às religiões estabelecidas do mundo. Estas religiões foram amplamente aceites em diferentes regiões da Terra. Possuem uma longa história e alcançaram um estado de maturidade. Allah revelou-me que nenhuma destas religiões era falsa na sua origem e que nenhum dos seus profetas foi um impostor.» [2]
Este é um princípio extraordinariamente belo, que promove a paz e a harmonia, estabelece os alicerces da reconciliação e contribui para o aperfeiçoamento moral da humanidade.
Todos os profetas que surgiram no mundo, quer tenham vivido na Índia, na Pérsia, na China ou em qualquer outra região, são considerados por nós verdadeiros. Acreditamos na autenticidade de todos eles, sem exceção. [3]
Uma vez estabelecido o princípio de que Allah enviou profetas a todas as regiões do mundo e em todas as épocas da história, torna-se natural compreender a necessidade da vinda de um Profeta Universal.
Contudo, a aceitação de um Profeta Universal exige reciprocidade. Quando esperamos que outros aceitem como verdadeiro aquele que nós reconhecemos como profeta de Allah, torna-se igualmente necessário que nós próprios reconheçamos a autenticidade daqueles homens santos em quem essas pessoas depositam uma fé sincera e inabalável.
É precisamente por essa razão que o Islão estabelece o fundamento para a universalidade de um único Profeta. Assim, a afirmação do Sagrado Alcorão de que o Santo Profeta Muhammad (sa) foi enviado não apenas para a Arábia, mas para toda a humanidade, assenta numa filosofia sólida e coerente.
Encontramos em praticamente todas as religiões referências a uma futura idade de ouro ou a uma era ideal em que toda a humanidade viverá unida sob uma única orientação espiritual. No entanto, dificilmente encontramos nelas uma base concreta que permita alcançar essa unidade ao nível das crenças e dos princípios religiosos.
Foi o Islão que, pela primeira vez na história das religiões, abriu verdadeiramente o caminho para uma religião universal ao proclamar que todos os povos da Terra, em diferentes épocas, foram agraciados com a vinda de mensageiros enviados por Allah.
Segundo o Sagrado Alcorão, a instituição da profecia é universal e permanente. O Alcorão utiliza dois termos diferentes para designar esta missão divina, cada um deles com um significado específico.
O primeiro é An-Nabi (Profeta). Este termo refere-se ao homem escolhido por Allah para receber conhecimento divino, incluindo revelações acerca de acontecimentos futuros e informações sobre acontecimentos passados que eram desconhecidos do seu povo. O cumprimento dessas profecias constitui um sinal da sua autenticidade e prova que o seu conhecimento provém de Allah, o Omnisciente. Desta forma, a profecia confirma a veracidade do profeta e leva as pessoas a aceitarem a sua mensagem.
O segundo termo é Ar-Rasul (Mensageiro). Este refere-se ao profeta enquanto portador de uma mensagem específica enviada por Allah à humanidade. Essa mensagem pode consistir numa nova Lei Divina ou numa exortação para que as pessoas regressem à obediência de uma revelação anteriormente concedida.
Na prática, estas duas funções encontram-se reunidas na mesma pessoa. Assim, todos os profetas podem ser considerados mensageiros, e todos os mensageiros são igualmente profetas.
Segundo o Islão, todos os profetas são seres humanos. Nenhum deles possui natureza divina ou características sobre-humanas.
Sempre que determinadas Escrituras atribuem milagres aos profetas que parecem sugerir poderes sobrenaturais próprios da Divindade, o Sagrado Alcorão rejeita claramente essa interpretação.
Um exemplo é o milagre da ressurreição dos mortos, atribuído a alguns profetas. Embora relatos semelhantes existam em várias Escrituras religiosas, o Alcorão esclarece que tais descrições devem ser compreendidas num sentido espiritual e simbólico, e não literal.
Por exemplo, afirma-se que Jesus (as) ressuscitou os mortos para uma nova vida. Contudo, o Sagrado Alcorão utiliza exatamente a mesma linguagem ao descrever a missão do Santo Profeta Muhammad (sa), referindo-se ao milagre do renascimento espiritual das pessoas através da sua orientação.
O mesmo princípio aplica-se ao episódio em que Jesus (as) molda aves a partir do barro e lhes dá vida com a permissão de Allah. Segundo a compreensão apresentada pelo Alcorão, essas aves representam seres humanos que, graças ao ensinamento divino, recebem a capacidade de elevar espiritualmente as suas vidas, deixando para trás uma existência puramente material.
Da mesma forma, nenhum profeta recebeu uma vida extraordinariamente longa que o distinguisse dos restantes membros da fraternidade dos profetas. Também nenhum profeta é descrito como tendo ascendido fisicamente às regiões mais distantes do universo.
Sempre que as Escrituras mencionam uma ascensão ao céu, deve entender-se uma ascensão espiritual e não uma ascensão física. O Sagrado Alcorão declara categoricamente que uma interpretação literal desse género não corresponde à verdadeira natureza da missão profética.
Quando os Povos do Livro exigiram que o Santo Fundador do Islão subisse fisicamente ao céu e regressasse trazendo um livro como prova da sua missão, Allah ensinou-lhe a responder:
«Dize-lhes: “Glorificado seja o meu Senhor! Não sou eu senão um ser humano e um profeta.”»(Alcorão 17:94)
Esta resposta rejeita todas as afirmações segundo as quais outros profetas teriam ascendido fisicamente ao Céu. O argumento implícito nesta resposta é que nenhum ser humano e nenhum profeta pode elevar-se corporalmente ao Céu; caso contrário, o Santo Profeta Muhammad (sa) também poderia ter realizado o mesmo milagre. A ênfase colocada nas características humanas dos profetas e nas suas limitações humanas constitui uma das mais belas características dos ensinamentos fundamentais do Islão.
Os profetas elevam-se acima dos restantes seres humanos não porque tenham sido dotados de qualidades sobre-humanas, mas porque fizeram o melhor uso possível das qualidades humanas que Allah lhes concedeu. Permaneceram seres humanos, apesar de terem alcançado elevadas posições espirituais, e, precisamente por isso, a sua conduta pode servir de exemplo e de modelo para toda a humanidade.
Relativamente à continuidade da profecia, o Islão declara categoricamente que o Santo Profeta Muhammad (sa) é o último dos profetas portadores de uma Lei Divina, e que o Sagrado Alcorão é o último Livro Divino que contém essa Lei, tendo sido aperfeiçoado e preservado por Allah até ao fim dos tempos.
É evidente que um Livro que é perfeito e que, além disso, está protegido contra qualquer adulteração ou interpolação humana, não necessita de qualquer alteração. Nenhuma modificação é justificável, pois a sua perfeição e preservação garantem que permanecerá válido para toda a humanidade.
No que diz respeito à profecia que não traz uma nova Lei Divina, o próprio Sagrado Alcorão afirma claramente a possibilidade da sua continuidade. O Alcorão contém igualmente profecias acerca do aparecimento de reformadores divinamente inspirados, completamente subordinados ao Santo Fundador do Islão e ao Livro Sagrado, o Alcorão.
O versículo seguinte da Surata An-Nisā’ não deixa qualquer margem para dúvidas:
«E quem obedecer a Allah e a este Mensageiro estará entre aqueles sobre quem Allah concedeu as Suas bênçãos: os Profetas, os Verídicos, os Mártires e os Justos.»(Alcorão 4:70)
Em resumo, o Sagrado Alcorão declara que o Islão é a religião final e perfeita, revelada para benefício de toda a humanidade. Depois dela, não será revelado nenhum novo ensinamento destinado a revogar ou substituir os ensinamentos do Islão, nem surgirá qualquer novo profeta independente fora do âmbito desta religião. Qualquer profeta que venha a ser levantado por Allah estará completamente subordinado ao Santo Profeta Muhammad (sa) e à sua Lei.
Os profetas foram sempre enviados para transmitir uma mensagem divina. Essa mensagem não dizia respeito apenas às crenças, mas abrangia igualmente a forma como essas crenças deveriam ser postas em prática na vida diária.
Os ensinamentos dos profetas podem ser divididos em duas grandes categorias:
Como fortalecer e aperfeiçoar a relação do ser humano com Allah.
Como o ser humano deve comportar-se em relação aos seus semelhantes.
Estas duas categorias abrangem, na realidade, todos os aspetos da Lei religiosa.
Não é possível, neste contexto, desenvolver uma análise detalhada da forma como o Islão cumpre esta missão de maneira perfeita. Contudo, será oportuno apresentar alguns exemplos importantes deste ensinamento de caráter universal.
Referências
«Taarikh-i-Hamdaan Dailami», Baab-ul-Kaaf. Ver Pocket Book, p. 854, por Malik Abdur Rehman Khadim, 6.ª edição, publicada em 1952.
Tradução do original em urdu «Tohfa Qaisariya», p. 256, Roohani Khazain (Tesouros Espirituais), Vol. 12, Unwin Brothers, Gresham Press, Old Woking, Surrey, 1984.
Tradução do original em urdu «Tohfa Qaisariya», p. 259, Roohani Khazain (Tesouros Espirituais), Vol. 12, Unwin Brothers, Gresham Press, Old Woking, Surrey, 1984.